Cabaré Paulista - Do Manifesto Contra o Trabalho (2006)


Sobre a idéia de cabaré, por Anatol Rosenfeld
Cabaret (cabaré literário), do francês cabaret, taberna, tasca. Entretenimento cênico em ambiente íntimo – quase sempre em cantinas, boates, restaurantes etc. –, onde se apresentam chansons, songs, esquetes, paródias, cenas grotescas e números variados, ligados por um animador, apresentador ou conférencier culto e chistoso. O programa destina-se em geral a glosar, satirizar e atacar, de forma mais ou menos agressiva, aspectos atuais da realidade político-social e cultural. O público, metropolitano e sofisticado, burguesia intelectualizada ou esnobe, além de artistas e literatos boêmios, deve ser capaz de captar-lhe a linguagem alusiva, preenchendo as entrelinhas.
(...)
No Brasil, os entretenimentos que se aproximam do cabaret manifestam-se em geral na televisão. Por isso mesmo não são cabarets, arte que se dirige a um público exigente, em atmosfera ítima, de contato direto e feedback imediato. Quanto aos programas nas boates etc., falta-lhes em geral o cunho político-satírico e o conférencier de alto nível cultural.

O cabaret é uma arte sensível às mínimas mudanças cultuais. Mas é ao mesmo tempo um laboratório de novas experiências, cuja influência sobre os movimentos artísticos do século XX não foi ainda estudada, mas afigura-se enorme. A dialética do cabaret é complexa. Num regime de força ou se mediocriza como comércio ou vive, fazendo jus à sua essência satírica, sob a ameaça da proibição. Num regime de liberdade, floresce, mas decompõe-se facilmente em artigo de consumo para aqueles que agride, formando uma sociedade de vendedores e compradores de protestos. “O cabaret, para prestar, tem de ser perigoso. Perigoso e em perigo: pois sempre luta, armado de pedrinhas, contra o Goliat do momento [Günter Groll]”.
Teatro de Narradores 2009 ® Todos os direitos reservados | Poweredy by Meniquelli